O vestido de uma vida

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O vestido preto das mulheres do Minho, é o vestido da vida. Fato de festas e cerimónias, vestido de casamento, mortalha na hora da morte.

Dos eventos que ocorrem durantes as festas à Senhora da Agonia, em Viana do Castelo, será a festa do traje aquele que mais me seduz. Desfilam as cores, os trabalhos, as festas, vestidos no corpo das mulheres e homens que orgulhosamente, envergam o trajar e ourar minhoto, ao som dos cantares e modas que mãos virtuosas arrancam dos foles das concertinas.

Temo que o público em geral se não tenha ainda apercebido de quanta cultura, quanto Minho, quanta vida passa naquela palco do Centro Cultural de Viana e, por isso, a assistência não seja a que evento de tal dimensão justificaria.AMC_2036

Por entre tanta arte e tanta beleza, Fernando Lima, um estilista do Porto, apresentou um vestido de noiva inspirado no traje de Viana do Castelo, decorado  com 70 mil cristais Swarowski, no qual utilizou 50 metros de seda, e 900 horas de trabalho. Esta peça única está avaliada em 38 mil euros. Uma obra que reinterpreta o vestido da vida da mulher minhota.

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Ponte de Lima, Portugal

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Confesso-me um apaixonado pelo Minho.., pelas suas gentes de olhos e ares nórdicos, cultura e tradições, pela gastronomia muito própria, pelas paisagens de cortar ao fôlego, pelos trajes e o orgulho com que os envergam.

As suas festividades e celebrações são ainda de uma genuinidade que remonta às mais profundas raízes populares. Sinto-me grato, por viver numa época, ser contemporâneo, destas gentes que se orgulham das suas terras, dos seus usos e costumes, de serem minhotos.

Costumo deambular, tanto quanto me é possível por este país e, particularmente, pelo Minho e Alentejo. Duas regiões diametralmente opostas. na paisagem, na cultura, na gastronomia mas, que de facto, me apaixonam.

Quanto ao Minho, as suas festas são, mais um, forte motivo para nos pormos a caminho e, são incontáveis, os festejos mais religiosos ou pagãos que se sucedem durante todo um ano. Todo o Minho se vai engalanando para celebrar o seu padroeiro ou, agradecer os frutos da terra.

Ponte de Lima celebra a sua Senhora das Dores numa romaria que evoca tempos antigos, de comércio, festa e devoção. Em cada esquina, um tocador de concertina, em cada palmo de terreiro, um baile armado, em cada mesa, um sarrabulho por entre malgas de magenta pintadas.., e sentimo-nos em nossa casa, longe do bulício citadino, da cultura malcriada e agressiva que inferniza a vida de toda a gente, do fast food que a pressa de viver inventou.

Num dia próximo lá voltarei a Ponte de Lima para saborear a calma e os paladares dos seus muitos restaurantes de eleição.

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